
Concomitantemente à “impotência estatal voluntária” para o fortalecimento de tais forças, cada vez mais algozes contra a paz social, está a falácia do enfraquecimento da segurança da população em geral pelo estabelecimento da Lei 10.826, de 22 de dezembro de 2003 (regulamentada pelo Decreto 5.123 de 01 de julho de 2004), conhecida como
Estatuto do Desarmamento. Desarmada a população, privando-a da defesa contra a vida e a propriedade privada, e exaurindo a responsabilidade do poder-dever do Estado para com a seguridade pública, oito anos de petismo (inclua-se mais os dez anos de Foro de São Paulo) serão mais que suficientes para amamentar forças subversivas organizadas na infra-estrutura do país para finalmente solidificar os alicerces do comunismo. Todas as teses elaboradas do III Congresso do PT são diretrizes para orientar o partido neste sentido.
As atuações do PCC e a indiferença na apuração do acidente do Airbus A320 da TAM Express em Congonhas marcam o descaso do governo para com a segurança dos brasileiros. Nisso, quando o caos atingir proporções insuportáveis, seja pelo crime ou por convulsões sociais, a supremacia do Estado comunista terá se solidificado – etapa em que o governo federal do “socialismo petista” terá influência sobre (quase) toda a infra-estrutura do país (basta um estudo completo das teses elaboradas no III Congresso do PT para se prever isso). Será o momento em a performance imperial de suas estruturas públicas destinar-se-ão para a realização de todas as nomenklaturas “sociais” invocadas, por vias do vasto aparato estatal estabelecido e constituído por inúmeras repartições, órgãos, ministérios, secretarias e empresas públicas, movimentando-se através da corrupção facilitada e supridas por impulsos tributários.
Um segundo elemento da estratégia petista vem de certa forma vinculado ao marketing populista do brado “com a força do povo”. O que seria esta força popular a qual o Partido dos Trabalhadores se apóia e fez de sua propaganda eleitoral o carro chefe de seu partido? Bem, o Brasil é um país em desenvolvimento e possui ainda muitos pobres, por isso não há habitat melhor para os ratos de esquerda agirem. Desestabilizadas na pobreza são facilmente manobráveis, pois facilmente se deixam embriagar pelas promessas da igualdade de fato.
Mas para o sucesso desta conscientização coletiva é preciso, sobretudo, proteger a pobreza para que seja ludibriada pela propaganda populista e assim jogá-la para a desestabilização da ordem. Portanto é preciso que o Estado se faça ausente perante a atuação de organizações criminosas e subversivas, destituindo ainda os meios de legítima defesa da população desarmada. Mantendo a pobreza nas massas o PT poderá contar com a maioria dos votos, e com o estímulo à desestabilização da ordem por movimentos sociais terá sempre o apoio de forças manobráveis visando interesses eleitorais ou partidários. Com a omissão perante organizações criminosas terá sempre o pretexto para o fortalecimento do Estado para a segurança (vide o Estatuto do Desarmamento).
A permissão ao direito de voto do analfabeto atende a este propósito (ou pelo menos a carapuça serviu). Com a promulgação da Emenda Constitucional número 25, de 15 de maio de 1985, e recepcionada pelo §1º do artigo 14 da nossa “Carta Magda” de 1988, o alistamento eleitoral e o voto passaram a ser facultativos aos analfabetos. Por isso, não é interesse do partido-estado incentivar a iniciativa privada para aprimorar a infra-estrutura do país – sobrando assim maiores verbas a serem destinadas ao ensino público ou para a segurança dos brasileiros. Brasileiros armados traria maior segurança, trazendo maior segurança o partido-estado não fortaleceria movimentos sociais, não os fortalecendo não poderia contar com forças ativistas e virulentas a seu favor (ou a favor do esquerdismo). Ensino público de qualidade não formaria analfabetos, não existindo analfabetos não haveria votos, não havendo esses votos o PT não estaria no poder. Aprimorando ambos os setores não haveria sobrecarga de funções administrativas, logo não existiria império público e farra congressista.
Em um debate para a reeleição o Senhor da Silva antecipou que “o alicerce está pronto, as paredes estão prontas, agora falta a madeira e o telhado.” Mas ele realmente quis dizer que oito anos de governo serão o bastante para maturar um engodo social fértil pronto para sindicalizar, badernizar e anarquizar as ruas demonstrando “com a força do povo” toda a virulência que aprenderão em pouco menos de uma década. Eis o projeto para a perpetuação do poder petista: um mosaico elaborado para a supremacia de uma mentalidade esquerdista e o conseqüente fortalecimento de um pretexto ideológico socialista, sob o qual o Partido dos Trabalhadores pudesse sempre retirar proveito para a perpetuação de sua influência política no processo eleitoral brasileiro, preparando assim um ambiente social favorável para o assento da burocracia vermelha, seja ela socialista, comunista ou lulista.
Contudo o que diferencia a malícia da esquerda e a inocência da direita brasileira é que os primeiros sabem manipular eleições munidos de uma estratégia ideológica socialista voltada para as massas em âmbito nacional, enquanto os últimos possuem um restrito e fragmentado consenso intelectual voltado essencialmente apenas para a economia – praticamente a única instância donde retiram seus argumentos contra um inimigo que difunde sua influência em toda infra-estrutura da sociedade. Esta é a advertência maior de Olavo de Carvalho aos que se dizem compor a Direita brasileira, mas ainda assim não vemos o PSDB-PFL denunciar o Foro de São Paulo, elaborar teses capitalistas ou unificar think-tanks conservadores e liberais para retirar do mel capitalista o sabor de jiló e do jiló socialista o sabor de mel. Enquanto esta Direita não se uniformizar numa rede de inteligência alocando a teoria e a prática de seus princípios e premissas em um consenso abrangente, não apenas em discussões econômicas, esta Direita será eternamente “maria-vai-com-as-outras” das massas ludibriadas e capacho daqueles que dão as cartas fora e dentro do poder. Dão as cartas porque são unificados, organizados, coordenados e possuem estratégias e táticas a curo e longo prazo baseadas num consenso ideológico uniformizado.
O excelente trabalho realizado pelo TFP, fundado em 1960, na grande São Paulo, tendo como ícone o nobre batalhador pelo conservadorismo brasileiro Plinio Corrêa de Oliveira, oferece ainda boas, porém modestas, esperanças quanto a uma fervorosa defesa patriótica pelas tradições culturais da nação brasileira esculpidas por nossa história. Apoiado em valores ocidentais, arregimentados no catolicismo judaico-cristão, luta pelo acautelamento destes valores serem implodidos pela burocracia libertária esquerdista. Mas assim como o TFP, o Farol da Democracia Representativa, o Instituto Liberdade, o Instituto Juventude pela Vida, o Movimento Viva Brasil é preciso que reações como a Passeata Nacional Ética Já – A Grande Vaia, de 29 de setembro deste ano, tornem-se partidárias e permanentemente institucionalizadas. A iniciativa merece aplausos, mas falta-lhe “alicerce, paredes, madeira e telhado”; falta-lhe perpetuação.
Mas aos poucos vamos aprendendo. O problema é a lentidão. Pulemos logo fora da panela e desliguemos o fogão, mas para isso é preciso que todos saibam que estamos sendo cozinhados. A água já está quente e continua esquentando, quase fervendo, mas ainda não chegou a seu ponto de ebulição.
*Nota: sobre o Foro de São Paulo, ver o espaço reservado no jornal eletrônico midiasemmascara.org, disponível em: http://www.midiasemmascara.com.br/editoria.php?id=8.
Leia a parte I desse artigo: http://opequenoburgues.org/colunistas/jo%e3o_paulo_montandon/%22com_a_for%e7a_do_povo%22_--_uma_arquitetura_do_projeto_de_poder_petista_--_parte_i/
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