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Classificação: / 5
PiorMelhor 
Escrito por Guilherme Macalossi   
26-Oct-2007
 Durante anos consegui ficar longe do principal jornal de minha cidade: "O Farroupilha". Em algumas oportunidades, no blog “Instituto Jacu Peludo”, cheguei a fazer troça de seus redatores, criando piada dos textos mal construídos. Uma das minhas críticas foi colhida pelo pessoal do jornal e uma cópia ficou fixada no mural da redação durante algum tempo. Em uma oportunidade escrevi para o outro jornal da cidade, O Domínio da Notícia, respondendo um texto do principal colunista do jornal "O Farroupilha", Carlos Ruchel Gomes. O texto está publicado aqui no site com nome de "Sobre Latidos, Origens e Bons Companheiros". Minha invulnerabilidade acabou. Segunda feira fui abordado pela equipe de enquetes do jornal. Inúmeras vezes despistei os enqueteiros de "O Farroupilha". Atravessava as ruas. Dava meia volta. Simulava desmaios. Todo meu esforço foi por água abaixo. Estarei estampado, com fotinho incluso, na próxima edição do jornal.

Muitas pessoas parecem se gabar de aparecer no jornal de sua cidade. É uma cultura provinciana comum nos pequenos municípios. Em minha cidade não é diferente. A coluna social do jornal é a arena mais disputada. É Marina Grandi quem edita esta página. Nunca apareci na coluna social do jornal "O Farroupilha". Minha mãe já apareceu na coluna social do jornal "O Farroupilha". Minha irmã já apareceu na coluna social do jornal "O Farroupilha". Meu tio já apareceu na coluna social do jornal "O Farroupilha". Até o prefeito de Farropilha já apareceu na coluna social do jornal "O Farroupilha". Não me acho muito VIP. Marina Grandi deve achar o mesmo. É claro que ela está certa.

Semanas atrás tomei a liberdade de contribuir com o jornal pela primeira vez. Enviei um artigo para "O Farroupilha" com objetivo de responder a uma redação escrita por um grupo de alunos de uma escola estadual. O grupo de alunos chamava a atenção para a realidade do Aquecimento Global. Eu chamava a atenção para o engodo que era a realidade do Aquecimento Global. Meu artigo até hoje não foi publicado. Arrumei alguma coisa ali, outra coisa aqui. Enviei o artigo, rejeitado pelo jornal, para Leo Melgaço, nosso editor. Ele aprovou e publicou aqui no site. O nome do artigo é "Quem Fatura Com o Aquecimento Global". Não avisei a Leo Melgaço que se tratava de um texto não aproveitado por um jornal local. Será que ele ficará irritado comigo por lhe enviar material de Segunda mão? Veremos.

A enquete que respondi para o jornal "O Farroupilha" tratava de uma pesquisa sobre a qualidade do sono da população. Me perguntaram se eu dormia bem. O jornal "O Farroupilha" jogou no lixo minha opinião sobre o Aquecimento Global, mas está muito interessado na minha opinião sobre se durmo bem ou não. Não sei se devo me preocupar com as preferências do jornal "O Farroupilha" quanto ao que eles julgam prestável ou imprestável em minhas opiniões.

Claro, responder sobre o sono é muito mais interessante, do que responder a uma turminha de escola que acredita em Aquecimento Global. O leitor prefere a opinião popular bronca das enquetes do que a opinião pseudo-intelectual bronca dos artigos. O leitor está correto. Estou muito agradecido ao jornal "O Farroupilha" por me dar um rumo. Antes de responder sobre o sono escrevia aqui para o site sobre o filme "Tropa de Elite". Não vou mais. Estou abandonando a política. Adeus, Capitão Nascimento. Adeus, Al Gore. Adeus, Aquecimento Global. Adeus, petistas de DA. A Leo Melgaço dou um aviso: Agora só me preocupo em dormir bem. O tempo que dedicava aos artigos será substituído por longas pestanas.

ZzZzZzZzZzZ.....

Comentarios (5) >> feed

João da Rocha Labrego said: _

  Caro Guilherme:
Excelente artigo de cunho pessoal. Num blog que apóia o estilo de vida pequeno burguês é importante basearmos nossos artigos em fatos da vida real onde fomos protagonistas.
Nesse ponto é importante nos diferenciarmos dos militantes políticos de esquerda que nem sequer conseguem contar um insignificante fato de sua vida pois o mesmo estará sempre cheio de motivações partidárias.
Eu, da minha parte, não me evergonho de orgulhar-me de minhas próprias vitórias e sucessos individuais em minha vida. Já os militantes políticos tentam excluir de suas consciências todas as interpretações que difiram daquelas aceitas pelo partido.
Por exemplo: suponhamos que um militante político de esquerda se apaixone por uma garota de boa família pequeno-burguesa.
Quando este sujeito se aproximar da garota para tentar namorá-la ver-se-á tratado com muita boa-educação da parte dela e acreditará que isso siginifica que a mesma gostou dele.
Com essa ilusão na cabeça ele se declarará para a garota que com certeza o rejeitará devido à disparidade cultural entre ambos.
Esse fato reforçará no militante a crença de que foi rejeitado porque a luta de classes é que o impediu de conquistar a garota amada e, por isso, se empenhará cada vez mais em lutar por seus ideais políticos que são os de destruir as crenças e valores burgueses.
Jamais passará pela sua cabeça que ele pode ter mau-hálito, cheirar mal devido à falta de higine pessoal, despertar nos outros mais emoções negativas do que positivas com suas palavras, etc...
Não. Tudo é visto como luta de classes e ele achará que a garota até o amava mas não o aceitou por causa de seus pais. Por isso, ele se tornará um feroz perseguidor dos valores e crenças burguesas pois a paixão contrariada é um perigo para a sociedade constituída que precisa se precaver contra esses tipos irascíveis.
Por esse motivo há uma grande sensação de insegurança no ambiente quando uma garota ou seja lá quem for se vê forçado a dizer sim a um militante político mais por medo de seu ódio e suas consequências do que por amor ou simpatia pelo mesmo.
Das duas, uma: ou renunciamos à tudo aquilo que acreditamos e prezamos por medo de sermos diferentes ou simplesmente passamos a exigir mais segurança e democracia em nosso país. No final das contas é bem provável que tenhamos que nos ajustar ao que há de pior na sociedade humana, pois nos apegamos demais àquilo que conquistamos de material na vida ao invés das idéias e valores que proporcionaram essas conquistas.
Até mais...
October 26, 2007

Guilherme Macalossi said: _

  Ficou melhor que eu imaginava. Dentre outas pessos que comentaram sobre o sono estão uma auxiliar de padaria e uma vendedora de picolé.
October 26, 2007

Giane Teixeira said: _

  Adorei seu comentário, divertido e bem humorado. Parabéns!!
October 26, 2007

João da Rocha Labrego said: _

  Caros senhores:
Espantei-me ao ler no Mídia sem Máscara um artigo intitulado "Uma noite com Che" do articulista Carlos Wotzkow. Caso interesse o link é: http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=6140&language=pt />Oras, por que me espantei? Porque o mesmo descreve alguns comportamentos guevarianos que já citei neste blog em alguns comentários e artigos.
Parecem-se muito com aquilo que observamos em militantes políticos de esquerda.
Uma das coisas que li nesse artigo foi a falta de higiene pessoal do Che Guevara que se usava disso para ofender até mesmo a família de sua noiva que ele considerava burgueses sem serem.
Pasmem! Tudo isso por um ressentimento pelo sistema que levou seus pais à ruína. Os ideais de justiça e luta pelos oprimidos eram apenas desculpas para que ele extravazasse seu ódio contra o sistema, moralizando-o com um belo discurso marxista.
Em meu comentário mais acima eu já havia notado esse comportamento em pessoas de minha comunidade, às quais conheço desde criança.
Nem preciso contar que um desses amigos de infância tem um bafo-de-onça insuportável desde a adolescência.
Nunca se cuidou desse mal seriamente mas acredito que ele, por nutrir um forte ressentimento contra a sociedade e ter sempre apresentado um comportamento irascível e negativo diante das demais pessoas, acabou por desenvolver um repelente biológico de pessoas, sem se dar conta disso.
Acredito piamente que nosso corpo desenvolve defesas orgânicas contra tudo aquilo que damos muita importância ou odiamos com todas as forças de nossa alma.
Seria o campo da Psicossomática, neste caso.
Provavelmente, este sujeito terá que vencer a si mesmo e ao seu ódio para se libertar desse mal que ele próprio acabou somatizando.
Entendem como e por que a militância política de esquerda nos parece tão desprezível e irracional?
Porque, apesar do discurso teórico aparentemente cristão, o mesmo não passa de justificativas para manifestarem as suas mais baixas emoções negativas.
O pior de tudo é que a tendência é de a pessoa ir reforçando cada vez mais esses sentimentos nela mesma, chegando a um ponto em que ela acaba se tornando inútil e até mesmo perigosa para o partido político a que serve.
Por esse motivo, estes militantes, traficantes, etc... acabam tendo uma vida bem curta, pois o ódio e a revolta que sentem acabam um dia se voltando até mesmo contra seus próprios companheiros.
A guerra do tráfico no Rio de Janeiro, aparentemente motivada pela conquista de novos mercados e territórios, é justamente uma consequência do reforço dado à essas baixas inclinações de inveja, ódio, raiva, medo, etc.
Por esse motivo, as sociedades cristãs acabaram desenvolvendo soluções para despertar nas pessoas aquilo que há de melhor dentro delas: amor pela vida, pelas pessoas, pelos animais, pela natureza, pelo conhecimento, pelo bem, pelas virtudes, etc..., traduzidos na realidade em seu mais alto grau através do capitalismo e da liberdade de comércio.
O que essa gente de esquerda fez com tudo isso que criamos e desenvolvemos?
Apoderaram-se desses nossos ideais de boa-vida e começaram a discursar contra seus próprios criadores alegando que os mesmos não possuíam estas qualidades e que apenas aparentavam que as possuíam por interesses mesquinhos e inconfessáveis pelo vil metal que tanta fome causa aos pobres oprimidos da humanidade.
Aparentaram, então, uma fria indiferença pelo vil metal pois não tinham competência para ganhá-lo de forma honesta e decente, segundo as regras estabelecidas pela sociedade constituída a qual visava evitar que o pequeno e mais fraco fosse devorado pelo maior e mais poderoso, que é justamente o que o contrário do que os esquerdistas alegam.
Com essa indiferença aparente pelo dinheiro acompanhado de um discurso pobre de amor ao próximo mas destituídos de ações e obras que os confirmassem pois a justificativa era que não havia dinheiro para colocar esses ideais em prática, a esquerda foi conquistando os corações e mentes das pessoas, justificando suas pobrezas não como falta de iniciativa das mesmas e sim como culpa da burguesia que era egoísta, egocêntrica, etc.
Por tudo isso que exponho é fácil entender a frase do Lula de que um novo mundo é possível. Claro, ele fez tanta besteira na vida que se ele vier a se olhar de frente como ele realmente é, toda essa ilusão que ele criou em sua mente de si mesmo a fim de ocultar de sua própria consciência a sua verdadeira natureza, com certeza ele acabará enlouquecendo.
Continua...
October 27, 2007

João da Rocha Labrego said: _

  Continuação:
Por isso que o Cristianismo nos incita a lutarmos contra o mal mas é uma grande besteira a gente desperdiçar nossa vida lutando contra o mal do mundo. Devemos sim, lutar contra as nossas dificuldades de adaptação ao meio em que nascemos. Isso significa lutar contra nossa ignorância das coisas nos instruindo e aprendendo cada vez mais do porquê do mundo funcionar assim, aparentemente tão contraditório mas está sempre caminhando para a frente, enquanto que a visão comunista quer nos convencer de que uma volta para trás nos faria mais felizes. Oras, ninguém em sã consciência deseja voltar para trás quando arduamente lutou tanto para se elevar uns 5 centímetros na vida. Somente quem se sente muito abaixo de nós é que tenta através de xavecos nos levar de volta para o buraco de onde viemos, alegando que éramos felizes e não sabíamos.
Essa volta ao buraco de onde viemos é motivada por um sentimento inerente à nossa psicologia humana. Ele é traduzido por Freud como a saudade do útero materno. Segundo ele, nosso cérebro já totalmente desenvolvido, nos últimos meses de nossa gestação, registra em nossa memória as sensações de conforto e bem-estar que gozamos nessa fase de nossas vidas.
Nem sequer sentimos fome e já estamos saciados. Nem sequer sentimos sede e já estamos saciados. Nem sequer sentimos frio e já estamos aquecidos. Quando viemos à luz houve a perda desse paraíso o que nos colocou em contato com a fome, a sede, o desconforto, o frio, etc.
Essa sensação a gente carrega a vida inteira mas dependendo da direção que damos às nossas vidas e do amor com que fomos recebidos pelos nossos pais essa saudade do útero se dissipa e transforma-se numa sensação de bem-estar por estar vivo como se a vida valesse a pena ser vivida.
Quando nosso querido e amado presidente diz que um novo mundo é possível ele está expressando claramente essa saudade do útero pois ele lutou tanto contra o mal no mundo que a sua mente não conseguiu desenvolver idéias para o bem. Por isso que eu comparo ele ao Peter Pan que não queria crescer, líder dos meninos perdidos. Este Peter Pan se refugiou na Terra do Nunca, ou seja, este mundo nunca será um útero materno. Podem tirar o cavalinho da chuva. Cada um terá que construir o seu próprio útero materno para si mesmo e os seus filhos e dependentes.
No caso do Peter Pan por ele não acreditar que um dia poderia ter um lar ele preferiu se apaixonar por uma vida de aventuras. Oras, a vida de aventuras acaba nos cansando um dia e se não tivermos registro em nossa experiência de vida de um momento aconchegante acabaremos por nos transformar no Capitão Gancho que é o destino adulto de todo Peter Pan.
Desculpem-me pela salada de assuntos que fiz mas quis apresentar uma idéia de conjunto pois a personalidade esquerdista que se manifesta atualmente é bem complexa quando não possuímos dialética suficiente para compreendê-la. Como vêem o assunto é complexo mas nem por isso deixa de ser inteligível.
Essa riqueza de visões de um mesmo problema acaba nos conduzindo à grande verdade de que nossos antepassados estavam certos em tornarem a família uma das coisas mais importantes na formação de um cidadão de bem.
A primeira coisa que um traficante tenta fazer é destruir no filho a imagem positiva que ele tem de seu próprio pai para que o filho transfira para ele, o traficante, o suprimento dessa carência e a sua orientação para a vida.
Por isso, é importante aprovarmos nossos filhos e dar à eles um lar confortável e sem muitos conflitos, para que o mesmo não tenha que procurar fora aquilo que já possui em casa. Filhos assim se desenvolvem maravilhosamente bem e dificilmente apresentam alguma carência afetiva na fase adulta que poderia torná-lo vítima do engodo de algum traficante ou militante político. Ele sentirá uma grande segurança em suas próprias decisões que sempre serão acertadas pois as mesmas não são fundamentadas em sentimentos negativos e sim, em sentimentos de querer mudar o seu próprio ambiente para algo melhor para si mesmo.
Um exemplo disso é que muita gente me acha egoísta por eu não gostar de falar sobre os problemas da pobreza e do pobre. Eu alego que já faço muito pelo meu país e para a erradicação da pobreza lutando para ser um pobre a menos. Também luto para a erradicação da ignorância e do analfabetismo sendo um a menos nas estatísticas. Se cada um fizer o melhor por si o país melhorará mas se cada um ficar esperando que o outro faça por ele aquilo que lhe compete fazer o país continuará do jeito que está.
Abraços.
October 27, 2007
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