
Durante a Segunda Guerra Mundial, a partir de 1941, a Alemanha nazista invadiu a URSS, dando início a Operação Barbarossa. Esse embate entre Alemanha e URSS era a luta na qual, muito bem, os dois mereciam perder. Foi uma pena que um conflito tão sangrento como a Segunda Guerra Mundial tenha sepultado apenas o Nazismo.
A URSS, no entanto, escapou, e conseguiu impor seu sistema sobre os países que conquistou. Na base do seu poder como potência militar, tentou arrastar o mundo inteiro ao abismo comunista. Nesse embate ideológico, muitos detalhes importantes da Segunda Guerra acabaram sendo esquecidos ou caíram em meio a um interminável embate ideológico.
É necessário ter em mente que a URSS, depois dos países do Eixo, teve a conduta mais condenável do conflito frente aos valores que hoje compartilhamos. Primeiro, por que lutou tão-somente para se fortalecer à custa de guerras e conflitos, aproveitando o Estado de beligerância para conquistar países e aumentar suas fronteiras.
Foi a anuência de Stalin em 1939 que permitiu a invasão da Polônia e a queda da França, dando início ao conflito. Embora muitos aleguem que era uma questão de sobrevivência, nunca a URSS sucumbiria em 1939 ante uma invasão alemã, ainda mais com as potências ocidentais alertas na França, prontas para invadir a Alemanha em 1939, como de fato fizeram, em pequenas incursões.
Em 1941, a URSS resistiu heroicamente à expansão nazista, mas por uma questão de sobrevivência, e não de valores, como muitos querem fazer crer. Até o início da Barbarossa, a URSS era a fiel aliada dos nazistas. Enquanto tropas nazistas davam início à invasão, trens carregados de mercadorias cruzavam a fronteira para alimentar a indústria alemã. Antes ainda, na década de 30, a cooperação militar entre o Exército Vermelho e alemão foi intensa e resultou na idéia de Guerra Relâmpago, onde as idéias soviéticas de guerra móvel e blindada tiveram influência decisiva na concepção da Blitzkrieg. Anos depois, historiadores ocidentais como Liddel Hart se apossaram com sucesso da paternidade dessas idéias. (no meio da Guerra Fria, idéias que negassem aos russos o desenvolvimento de uma forma de combater que permitiu a Alemanha varrer as potências ocidentais da Europa eram muito bem vindas).
Uma vez armada, a Alemanha se voltou para o ocidente, onde conquistou a França. Se fosse adiante, a URSS teria avançado muito mais sobre os Bálcãs, tudo às custas dos britânicos que resistiam às forças nazistas no ocidente.
O argumento mais natural dos ideólogos marxistas é relegar todos ao mesmo plano de potências européias lutando somente por poder, o que é um reducionismo ingênuo. França e Reino Unido, aliás, tiveram uma conduta que quase levou os dois à derrota. Primeiro, porque em nome da paz no continente, deixaram a Alemanha se rearmar indiscriminadamente e, depois, em nome da soberania da Polônia, declararam guerra a um inimigo que momentaneamente era, em terra, mais forte que os dois juntos. Isso mostra que não se tratava somente da luta contra o bolchevismo, e sim a defesa da autonomia e independência dos países do leste europeu.
Portanto, ficam evidentes os objetivos de Stalin no conflito: poder e tão somente poder, às custas de dominações e conquistas de países, como Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Hungria, Romênia, etc. Nenhum compromisso com a democracia, por exemplo. Tampouco, havia compromisso em respeitar fronteiras traçadas após a Segunda Guerra, definidas por inúmeros tratados, muito dos quais assinados pela própria URSS.
| Comentarios () >> |
 |
