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A Importância da Consciência Moral criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
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Escrito por Claudio Téllez   
20-Jan-2007
 Um dos passos essenciais em qualquer processo socialista é a substituição da consciência moral pela consciência revolucionária. Isso fica mais evidente no marxismo, onde qualquer vestígio de moralidade coloca em risco a fabricação da luta de classes. Tanto a realidade quanto a moralidade não são limites para o socialismo marxista. A moralidade, por ser tratada como um instrumento das classes dominantes, que desejam manter a exploração sobre as classes dominadas; a realidade, pela própria constituição ideológica do marxismo que, ao juntar a arrogância do racionalismo com a promessa da utopia, prescinde do confronto com a realidade.

 

Nas vertentes socialistas da atualidade, a revolução não se concentra tanto na destruição da economia "burguesa" ou na promoção da luta de classes. Ela se processa por outros mecanismos, por exemplo através da cultura. Contudo, mesmo que o elemento de violência física não esteja explícito, ou seja habilmente camuflado, ainda assim a consciência moral deve ser combatida para a concretização da agenda ideológica socialista.


É através da imposição de um modo de agir e de pensar "politicamente correto" e da difusão do relativismo moral e cultural em quase todos os campos do conhecimento que atinge-se o propósito de destruir as bases morais da civilização ocidental para, em seu lugar, plantar os alicerces de um "outro mundo possível", caracterizado pela regulação institucional das relações políticas internacionais e das atividades econômicas globalizadas, visando estabelecer tanto a paz mundial quanto a reestruturação social mediante a justiça redistributiva.


Será que esse "outro mundo" é mesmo possível? Talvez. Será desejável? Aqui, podemos fazer duas observações. A primeira consiste em analisar uma possível conseqüência da concretização do ideal de paz perpétua em oposição à dinâmica hobbesiana do sistema internacional. Ora, Kant já reconhecia a dificuldade de conciliar o mundo pacificado por um governo mundial com a preservação das liberdades. Assim como a democracia sem sólidas instituições desenhadas para a limitação do poder político pode degenerar em uma ditadura da maioria, o estabelecimento de um governo supranacional pode conduzir ao despotismo. Como as instituições que sustentam e garantem o bom funcionamento da democracia representativa dependem do reconhecimento de certos princípios morais e valores fundamentais, o processo de eliminação da consciência moral, presente na construção desse "outro mundo possível", conduz inevitavelmente à criação de instituições mundiais defeituosas e incapazes de garantir a preservação das liberdades e dos direitos.


A segunda observação envolve a nossa própria identidade. Será que estamos dispostos a abandonar a riqueza de nossa tradição cultural em favor de um idealismo carente de substância axiológica? A substituição de nossa consciência moral pelos ditames do politicamente correto e do relativismo moral leva, sob a aparência de tolerância e progressismo, à permissividade e ao suicídio cultural. As concepções antropológicas que negam a existência de uma natureza humana abrem o caminho para a dissolução dos nossos valores e para a conseqüente negação de toda a nossa herança cultural e histórica.


A substituição da consciência moral pela consciência revolucionária do socialismo não conduz ao fim da pobreza ou à concretização da verdadeira justiça. A liberdade, quando separada da ética que tem a pessoa humana como centro da dimensão moral, não é suficiente para garantir nem a prosperidade, nem uma ordem internacional fundada na justiça e nos direitos. É da consciência moral, afinal de contas, que brota o conceito sólido de pessoa, dotada de dignidade perene e de direitos fundamentais inegociáveis. Sem ela, ficamos à mercê da barbárie dos totalitarismos ideocráticos e renunciamos à constituição de uma sociedade verdadeiramente livre e virtuosa.

 

Comentarios (6) >> feed

Edgard Freitas said: _

  Quando se abandona a consciência moral, qualquer coisa é possível. O ser humano pode viver como gado, tangido pela "Inteligência Coletiva". Mas, como o Téllez bem afirmou: Será desejável?
January 20, 2007

Nazaré said: _

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Amigo Cláudio,
Muito bom o artigo.
Abraços,
Nazaré
January 20, 2007

Gonçalinho said: _

  A não existência de guerra entre países e povos não significa a supressão das guerras entre indivíduos. É natural. E os marxismos e outras coisas que tal não querem admitir isso. São artificiais.
January 21, 2007 | url

Aurélio Garcia said: _

  Ao que me parece, os anseios de inspiração marxista não são desprovidos de um conjunto de valores a ponto de chamá-los relativizáveis demais. Se contata que determinada realidade moral não é benéfica, o que não exclui toda e qualquer identificação moral.Ao que me parece, os anseios de inspiração marxista não são desprovidos de um conjunto de valores a ponto de chamá-los demasiado relativos. Constata-se que determinada realidade moral não é benéfica, o que não exclui toda e qualquer identificação moral. Nesse ponto que reflito tanto sobre o artigo quanto ao que ele critica: Por quais parâmetros julgar a correta moral? Alguns vão sugerir que seria a verdade com V maiúsculo, daquela que se liga ao divino. Outros que seria a moral kantiana; que habita todos os homens, cerne da razão. Outros que seria uma moral que visa o bem estar da maioria pela igualdade... E todas têm seus argumentos bem fundamentos em sua própria lógica. Apesar de estar sendo eu mesmo relativista nesse momento, creio que a flexibilidade e a capacidade de adaptação são necessárias como contrapontos. Se há o risco de uma ditadura da maioria, também me preocupa o risco do totalitarismo de determinada corrente de pensamento, principalmente quando há o risco de excluir contribuições significativas de outras correntes. No mais, parabéns pelo excelente artigo, que expõe de forma eloqüente a visão que você defende. Abraço!
January 25, 2007

Aurélio Garcia said: _

  Aff! Erro na edição do texto de baixo. :- Nevermind...
January 25, 2007

Marcos said: _

  Ótimo artigo, concordo com muita coisa e foi muito bem defendido. Parabéns.
February 09, 2007
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Atualizado em ( 01-Jun-2007 )
 
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